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Por conta do grande poder demonstrado, a pesquisa qualitativa vem se mostrando a nova queridinha do mercado

Quando falamos em pesquisa, geralmente pensamos no tipo de pesquisa que mais estamos acostumados a ver: a pesquisa quantitativa. Com esse tipo de pesquisa, conseguimos capturar e analisar uma grande quantidade de dados objetivos, identificando tendências, sequências e classificação. Porém, com a crescente complexidade do mundo de hoje, surgiu a necessidade de entender melhor as razões por traz das ações de cada pessoa. Nesse contexto, a pesquisa qualitativa ganha espaço, trazendo de forma consistente os questionamentos de ‘Por que’ e ‘Como’.

Por conseguir desmistificar sentimentos, gatilhos e barreias emocionais, a pesquisa qualitativa vem enriquecendo muito o nosso entendimento da realidade. Porque esses insights não podem ser facilmente capturados usando métodos quantitativos.

Ainda existe uma certa barreira com relação à pesquisa qualitativa, porque ela pode ser confundida com informações obtidas em uma conversa informal, por qualquer pessoa. O que pode ocasionar grandes erros de interpretação, já que o pesquisador pode influenciar as respostas e produzir dados óbvios que não possuem grande relevância. A pesquisa qualitativa deve ser cuidadosamente planejada e guiada para expor os pensamentos mais íntimos do sujeito com relação a um tópico específico.

Infelizmente, a maioria das pesquisas qualitativas que vemos hoje estão limitadas à construção de características e modelos em estudos exploratórios. Contudo, o real valor da pesquisa qualitativa está na habilidade de obter insights que estão no inconsciente das pessoas e revelar suas crenças mais ocultas e obscuras.

Essas crenças e suposições são aspectos que cercam o nosso comportamento todos os dias, sem que tomemos consciência racional deles. Porém, essas crenças irracionais são, muitas vezes, as razões e motivações para os nossos comportamentos. Assim, esses pensamentos podem guiar as nossas decisões de compra, a formas como os anúncios nos afetam e nossas preferências por determinadas marcas. E, não sendo conscientes, eles não podem ser revelados através de uma pesquisa quantitativa.

As informações que podemos obter através de pesquisas qualitativas podem ter três naturezas:

1. Pessoal: Muitos dos processos de pensamento humanos são governados pelas experiências que cada indivíduo vivenciou. Nós construímos diversas associações baseadas nessas experiências, que podem ser extremamente diferentes das vividas por nossos melhores amigos e por nossos pais. Por conta de coisas que eu vivi, posso acreditar que os remédios alternativos têm um impacto positivo no tratamento de doenças leves, porque eles tiveram bons resultados em mim. Porém, minha vizinha nunca conseguiu bons resultados com essas terapias. Então ela é contra qualquer tipo de medicamento que não esteja no escopo da medicina tradicional. Em alguns casos, as crenças pessoais dos indivíduos podem ser comprovadas ou oferecer evidências cientificas. Porém, mesmo que as suposições não tenham essa comprovação, as pessoas continuam acreditando em sua validade. Portanto, esse tipo de crença é um dos mais difíceis de ser decifrado, porque é individual. Ou seja, para cada pessoa específica, existe um conjunto específicos dessas crenças.

2. Evolutiva: Por que a maioria dos filmes de terror se passam durante a noite? Porque, em uma perspectiva evolutiva, o momento da noite era mais desvantajoso para os seres humanos do que o do dia. Muitos predadores têm sentidos que os ajudam a se orientar na escuridão, então os grupos humanos antigos estavam em nítida desvantagem durante a noite. Portanto, a ideia transmitida foi a de que os perigos chegavam com o surgimento da escuridão e essa crença deixou em nós resquícios desse medo do escuro.

3. Cultural: Minha nacionalidade, minha etnia e minhas características são determinadas puramente pela sorte. Entretanto, os valores, rituais e ações da comunidade a qual eu pertenço tem impacto profundo na forma como eu vejo o mundo. Portanto, o fato de eu ter nascido em uma grande cidade do Brasil altera minhas percepções do mundo, minhas percepções das marcas, e as minhas ações vão ser muito diferentes das de alguém que nasceu em um país oriental. Mesmo dentro da própria comunidade, nascer em um ambiente mais ou menos privilegiado pode alterar completamente as opiniões e crenças dos indivíduos.

Os resultados que os pesquisadores desejam estão, muitas vezes, enraizados em pensamentos inconscientes e crenças ocultas. Portanto, não podem ser desenterrados apenas com o uso de métodos quantitativos de pesquisa. O verdadeiro valor da pesquisa qualitativa está na sua capacidade de acessar a esses pensamentos e crenças, dos quais as vezes nem nós mesmos temos conhecimento.